quarta-feira, 9 de abril de 2008

Concelhia do PCP contra a Barragem de Fridão

Pronunciando-se sobre o Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico aprovado pelo Governo, a Comissão Concelhia de Amarante do PCP, reafirmou, numa sessão pública comemorativa do dia Mundial da Floresta, realizada em Fridão, a sua posição crítica relativamente a este Programa.
Declarando-se "a favor das energias renováveis, mas não a qualquer preço e não sem ter em conta os danos significativos ao património natural e construído que uma barragem em Fridão pode ter", o PCP acrescenta:
" Consideramos que o a eventual construção de uma barragem em Fridão seria o golpe de graça a um rio Tâmega já de si moribundo.
Discordamos de um projecto que desvaloriza o impacto ambiental, histórico e paisagístico para Amarante.
Entendemos que as consequências que este Projecto teria para a segurança da cidade, a possibilidade de uma ruptura e o restante impacto ambiental negativo, levam a que este projecto aponte na direcção errada em matéria de energia e ambiente, não contribuindo para um desenvolvimento sustentado da região.
É nossa opinião que é necessário dar mais atenção a soluções alternativas, mais efectivas a nível de custos e impactos ambientais tais como a microgeração, as mini-hídricas, a expansão da energia solar ou a redução dos consumos."

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Memória Curta



Estas placas afixadas na Rua do Covêlo (nunca esta designação terá assumido tão lúgubres conotações) assinalam, para a história, e para os mais esquecidos, o nível máximo das piores cheias de que há registo, e, acima de todas, a que poderia ter ocasionado uma 2ª tragédia, com relações directas com a queda da ponte de Entre-Os -Rios, uns dias antes, em 4 de Março de 2001, o que então foi julgado conveniente não trazer à baila.


A barragem de Fridão e o açude complementar, a jusante da cidade, na medida em que virão, sem qualquer sofisma ou exagero, a recriar definitivamente os ingredientes necessários a uma réplica daquela iminência de tragédia, exigem que se rompa o silêncio.
Comecemos por que a concretizarem-se aquelas baias, os amarantinos ficarão definitivamente emparedados entre um dique, 7 quilómetros a montante, e com 90 metros de água acima das suas cabeças, e um açude, imediatamente a jusante da cidade, num plano mais elevado que o do paredão da barragem do Torrão.
A justificação oficial para este açude, é a de impedir o refluxo das águas e algas da albufeira da barragem do Torrão, e decorrentes marés diárias, no troço da cidade, sendo óbvio que esta paternal preocupação, não passa de um mero álibi para colocar a barragem do Torrão a funcionar à cota de 65 metros, uma obstinação da EDP que nunca recuperou do trauma de os amarantinos se haverem oposto tenazmente à subida do nível do rio em cerca de 3 metros, na zona da cidade, para o que apontavam as marcas a vermelho ainda visíveis nos pilares da ponte .





Como o refluxo das águas e algas deixaram de se verificar desde que a Câmara Municipal consolidou os açudes dos Morleiros, este malabarismo demonstra à saciedade, que a EDP e os técnicos que elaboraram o Programa, não estão de boa fé nem são pessoas de bem.
E a troco de águas e algas que já cá não chegam, os beneméritos da EDP e técnicos, em conluio, propõe-se dar de barato, as margens, ínsua, arborização e percursos pedonais e toda a moldura da ponte-casario-Igreja de S. Gonçalo, o ex-libris da cidade, sem entrar em linha de conta com a nossa tranquilidade e segurança!
É que acerca daquela iminência de uma 2ª catástrofe, relacionada com a queda da ponte de Entre-os-Rios, em 2001, nunca passaram para o domínio público, algumas situações críticas, a que estiveram expostos os residentes na zona ribeirinha, sendo esta a hora de romper o pacto de silêncio, já que os ingredientes voltarão a estar reunidos, caso o projecto da barragem de Fridão e do açude, vão avante de mãos dadas.
A queda da ponte de Entre-Os -Rios, entre outras causas, (como a extracção de inertes, falta de manutenção ou de uma monitorização eficaz) foi consequência imediata e directa, de uma descarga excepcional e descontrolada da barragem do Torrão.
É que, em resultado da suspensão das descargas da barragem do Torrão, para permitir a busca dos corpos das vítimas em Entre-os-Rios, (anote-se que a data da cheia em 2001, se inscreve no período das buscas subsequentes à queda da ponte em 4.3.2001) o nível da albufeira, subiu de tal modo que, em Amarante, uma cheia normal em qualquer ano, atingiu então as proporções dantescas que as imagens documentam liminarmente.


Se admitirmos, com o mesmo grau de probabilidade, uma descarga descontrolada, ou necessária, das barragens previstas para montante da cidade, nos picos de uma cheia equivalente (e nem precisa ser histórica), o efeito conjugado, de um açude a barrar o livre curso da torrente , (como então o paredão do Torrão), mas agora a dois passos da ponte, e sem toda a capacidade da albufeira a amortizar o acréscimo do caudal, a perspectiva é aterradora .
Na verdade, e confrontado com a maior cheia de que há memória, em 21 de Março de 2001, o então vereador do pelouro da Protecção Civil, absolutamente alarmado com a vertiginosa subida das águas, tomou a iniciativa de mandar avançar um Caterpillar D-7, para as proximidades, para a eventualidade de ter que mandar derrubar as guardas da ponte, caso o rio viesse a fechar o arco central, e transpondo-a, reeditasse a queda da anterior ponte, vai para 250 anos.
Muitos desconhecem que a queda da anterior ponte ocorreu no século XVIII, aquando de uma cheia de comparáveis proporções.
E ainda há duas semanas numa reunião na Junta de Freguesia, um dos participantes, (com conhecimento de causa, já que filho de um antigo sacristão da Igreja de S. Gonçalo), contava que o seu avô lhe tinha relatado que, em 1939, aquando da maior cheia até então, mas ainda assim inferior à de 2001 , aconteceu que um tronco se atravessou entre os dois pilares do arco central, originando uma enorme acumulação de detritos, que estavam a desencadear uma subida galopante das águas que poderia reeditar a queda da ponte, mal fechassem o arco central.
Como não houvesse, na altura, tractores D-7, foram buscar (lenda ou não, aqui fica passagem oral do testemunho) a imagem de S. Gonçalo e com umas cordas suspenderam-no do meio da ponte, até aflorar a correnteza. E fosse por que fosse, não demorou muito até que o tronco se libertou e lá foi rumo ao mar com uma esteira de detritos no seu encalço e a ponte cá continua de pé, até mais ver. Será desta?
Por alguma razão a Sr.ª da Ponte, que repousa agora, em bom recato, no nicho na parede da Igreja, à entrada da ponte, e até ver em que param as modas, nunca mais quis voltar ao seu lugar no muro a meio da ponte, donde foi salva in extremis, quando esta ameaçava ruir . É que a partir do momento em que o futuro só à EDP pertence e tudo se resume a uma questão de números, nem S.Gonçalo nos vale!





Por Amarante sem Barragens

terça-feira, 1 de abril de 2008

O tempo urge!

Como reacção às notícias que hoje nos dão conta do anúncio da calendarização para o lançamento dos concursos para nove, das dez barragens, que integram o Plano Nacional de Barragens, reproduzimos, com a anuência do signatário, uma posição assumida junto do presidente da Câmara Municipal de Amarante, de inconformismo e contestação à marcha inexorável dos acontecimentos, no que toca à barragem de Fridão. Posição com a qual este grupo de cidadãos, reunidos no movimento cívico Por Amarante Sem Barragens, se identificada em toda a sua extensão.



Sr. Presidente da Câmara Municipal de Amarante:

Independentemente do que V. Ex.ª houver por bem transmitir-nos na reunião que se dignou conceder-nos na próxima 5ª feira, à tarde, creio que esta notícia será de molde a que V. Ex.ª tenha que reajustar o calendário que certamente teria em mente para concretizar e avançar com mecanismos objectivos para impugnar o Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico, no que toca à barragem de Fridão, em harmonia com a vossa posição e promessas públicas, a que estarão atidos os amarantinos que em V. Ex.ª continuam a depositar as suas expectativas, em função dessas mensagens relativamente tranquilizadoras.
Perante este anúncio perturbador, que vos terá surpreendido tanto quanto a nós, permitimo-nos sugerir a V Exª a urgência de alertar a comissão de acompanhamento erigida na Assembleia Municipal e a que preside o ilustre deputado municipal Exº Sr. Dr Abel Afonso, comissão cuja dedicação e trabalho nos não merece quaisquer críticas nem louvores, porquanto não transparecem minimamente para o domínio público.
Se no entender de V. Ex.ª a questão atingiu o ponto de não retorno, e V. Ex.ª se reconhece ultrapassado pelos factos, teremos que ponderar na reunião da próxima 5ª feira, e em conjunto com V. Ex.ª, se fará algum sentido agastarmo-nos em esperanças vãs, ou continuar a alimentar ilusões no povo amarantino, ou de outro modo, é vossa e nossa obrigação, alertar os munícipes, em relação a que o cenário se precipitou, só lhes restando equacionar todas e quaisquer formas de fazer chegar, aos responsáveis, a nossa sentida inconformação e revolta por mais este esbulho e atentado à nossa cidade de que as gerações futuras, certamente, e com toda a legitimidade, pedirão contas a todos nós, a começar naturalmente por V. Ex.ª que nos representa junto do poder central.
Só assim nos demarcaremos do que possa induzir que adormecemos ou beijamos demasiado a mão ao sistema, amolecendo a opinião pública com retóricas bizantinas ou discursos de circunstância (não excluindo a nossa quota-parte de ingenuidade cúmplice).
A V Exª, e como sempre, pertence a primeira e última palavra, contando incondicionalmente connosco, em alinhamento com os interesses de Amarante a que V Exª deve indeclinável e cristalina fidelidade.
Com os nossos mais respeitosos cumprimentos.

A Freitas

Concurso para a construção de quatro barragens lançado hoje

Outros cinco projectos lançados até final do ano

O ministro do Ambiente anunciou hoje o lançamento do primeiro concurso público para a construção das barragens de Gouvães, Padroselos, Alto Tâmega e Daivões, num investimento entre 450 e 760 milhões de euros.Outros cinco concursos serão lançados em meados e nos finais deste mês, assegurou hoje Nunes Correia. Os concursos para a construção das barragens de Pinhosão e Girabolhos vão ser lançados em meados de Abril e os das barragens de Fridão, Alvito e Almourol no final do mês, precisou o ministro. Estes cinco projectos, incluídos no Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico (PNBEPH), vão ser adjudicados até ao final do ano e representam um investimento de entre os 700 e os 800 milhões de euros.O ministro do Ambiente afirmou que as obras de Ribeiradio, Baixo Sabor e o reforço de potência do Alqueva terão início ainda este ano. A barragem de Foz Tua, a qual concorreu apenas a EDP, foi adjudicada ontem e a sua construção terá início no próximo ano.

Jornal "Público" 01.04.2008

terça-feira, 25 de março de 2008

Apresentação

Este espaço de debate e intervenção, nasce da vontade de um grupo de amarantinos (e não só) de diversos quadrantes, e transversalmente irmanados, visando constituir uma alavanca que potencie a inconformação de quantos repudiam a forma cega e imponderada como o Programa Nacional de Barragens de Elevado Potencial, equacionou a barragem de Fridão, a cerca de 6 quilómetros (o mais próximo dos 5 empreendimentos hidroeléctricos a erigir a montante da cidade, englobados na designada cascata do Tâmega), já que os factores sopesados comparativamente a outras soluções, foram, fria e notoriamente, focalizados na área a inundar, como se o seu impacto, directo, e incontornável, sobre a cidade de Amarante, fosse desprezível.Contrariamente ao que o programa minimiza ou escamoteia, a barragem programada para Fridão, virá a repercutir-se-á de forma irreversível e devastadora na cidade de Amarante, a nível das condições de vida, da qualidade da água para consumo, do regime e amplitude das cheias e sua incidência na segurança dos residentes, da completa destruição do revestimento vegetal das margens e ínsua dos frades, das praias fluviais, dos percursos pedonais beira-rio, da descaracterização radical da paisagem, com a irreversível rotura do diálogo harmónico da moldura ambiental com o conjunto monumental e histórico da ponte e Igreja de S. Gonçalo - uma trilogia âncora de uma economia exclusivamente virada para o turismo - como se tudo isso fosse tara sem valor e de somenos importância.Sem negar a relevância conjuntural dos recursos endógenos e das energias renováveis em toda a sua momentosa importância perante as questões ambientais, a incomportável factura energética e a nossa dependência dos combustíveis fósseis, esta insofismável realidade, não pode, nem deve, ainda assim, ser arvorada como um rolo compressor que leve de roldão, valores irresgatáveis e de uma hierarquia relativa sem precedentes, que não foram compaginados, por quem deliberadamente se virou de costas para os amarantinos.Visando complementar as reuniões abertas, e informais, que têm vindo a decorrer, semanalmente, na sede da Junta da Freguesia de S. Gonçalo, este fórum pretende alertar e mobilizar a sociedade civil, em articulação com a Comunicação Social e todos os quadrantes políticos e estrutura autárquica, para acções concretas, numa frente comum que demova os mentores deste erro histórico e demolidor para a nossa comunidade já por demais espoliada, e na sequência de mais um processo decisório, capcioso, de curta visão e exclusivamente pautado pela sofreguidão da rentabilidade directa