quinta-feira, 17 de abril de 2008

EDP não desiste de nos querer inundar



O protesto dos amarantinos impediu durante vinte anos que a albufeira da barragem do Torrão, funcionasse à cota 65, o que implicaria o desaparecimento das margens arvorizadas, dos precursos pedonais e da Ínsua dos Frades, colocaria a Ponte S. Gonçalo (monumento nacional) com água "pelos joelhos" e faria deste troço do rio, a exemplo do que aconteçe em grande parte do ano na albufeira do Torrão, um charco de águas fétidas.

Mas se a EDP foi vencida à vinte anos, não desistiu dos seus intentos. Volta agora à carga, com o governo do PS (partido que então se mobilizou contra os desígnios da EDP), e às "cavalitas" do Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroelétrico.

No anexo V desse Programa pode ler-se, relativamente ao aproveitamento hidroeléctrico de Fridão:

"Para além das estruturas directamente relacionadas com o aproveitamento, foi prevista a possibilidade de execução de um pequeno açude a jusante da barragem de Fridão, situado imediatamente a jusante da cidade de Amarante, que garantirá a manutenção de um nível de água permanente no troço do rio adjacente à cidade.

Embora não exista uma relação directa com o aproveitamento de Fridão, constata-se que o limite de montante da albufeira do aproveitamento existente do Torrão (situado mais a jusante no rio Tâmega), quando se considera a cota máxima de exploração prevista, estende-se até junto à cidade, podendo ocasionar problemas de qualidade da água associados à baixa profundidade e à frequente varição de níveis na albufeira. Por essa razão o aproveitamento do Torrão é explorado actualmente com a albufeira a uma cota máxima inferior à prevista no projecto. Nestas condições, o açude a construir será alimentado em permanência pela albufeira de Fridão, e assegurará por um lado a renovação da água armazenada e garantia da sua adequada qualidade, e por outro evitará os inconvenientes associados à variação de níveis de água ocasionada pela exploração do aproveitamento do Torrão."

Como se constata a EDP, não só nos quer expor ao risco de viver sob um paredão de água com 90 metros de altura (Fridão), como ainda nos pretende descaracterizar o centro da cidade, expor-nos a riscos elevados de cheias, e ainda por cima, com uma atitude paternalista de quem nos quer resolver um problema, que ela própria criou e como tal se confessa.

Deixaremos nós que tal aconteça?

terça-feira, 15 de abril de 2008

Temos o direito de saber


A I.C.O.L.D. Comissão Internacional das Grandes Barragens, considera como grandes barragens as que tenham mais de 15 metros, desde as fundações até ao coroamento, entre outras características.


Atentos a esta condição podemos dizer que a projectada barragem de Fridão será uma muito, MUITO GRANDE, GRANDE BARRAGEM...

Seria bom se antes de nos "brindarem" com obra de tão grande RISCO para a cidade e para a população do concelho, cumprissem com o que está estipulado no Regulamento de Segurança de Barragens (e conhecedores do facto de a barragem projectada ultrapassar os 90 metros de altura e cerca de 440 metros de coroamento entre margens; conhecedores ainda de que terá uma capacidade de cerca de 195 hm3), nos dissessem de forma clara:

os cálculos a que chegaram quanto a uma possível onda de inundações;
que registassem em carta topográfica as áreas de risco;
que nos informassem sobre que plano de emergência é que irão elaborar e qual o sistema de aviso e alerta que pertendem implementar;
sendo que a cidade fica a escassos 6 Km da barragem que querem impor-nos!

É muito importante sabermos, qual a extensão das áreas que seriam inundadas, em caso de ruptura da barragem, bem como o tempo de propagação.

De forma simples é preciso dizer para onde devemos fugir em caso de acidente; se para o Alto das Murtas, para o Alto da Lomba ou para o Alto da Senhora da Serra!!?

Têm de dizer-nos de quanto tempo poderíamos dispor para evacuar as zonas inundáveis...
Têm de dizer-nos de quanto tempo precisariam para avisar toda a gente, sobre uma possível inundação.
Têm de dizer-nos como e com que meios imitiriam essa informação.

É muito importante sabermos tudo isto, antes de nos exporem a um RISCO ELEVADO, até agora inexistente, mas sempre possível em caso de ocorrência de cheias com níveis, até agora impensáveis, mas possíveis, ou um qualquer sismo imprevisível e devastador, ou qualquer outra circunstância anómala, como atentado terrorista, ou falha humana sempre possível, a qualquer momento.

TEMOS O DIREITO DE SABER.

E esse direito advém-nos da legislação nacional em vigor:

. Regulamento de Segurança de Barragens
Decreto-Lei nº 11/90 de 6 de Janeiro;

. Normas de Projecto de Barragens
Portaria nº 846/93 de 10 de Setembro;

. Normas de Inspecção de Barragens
Portaria nº 847/93 de 10 de Setembro;

. Normas de construção de Barragens
Portaria nº 246/98 de 21 de Abril;

que qualquer cidadão poderá consultar e que todos devem cumprir, MESMO O GOVERNO.
Somos pelo progresso, pelo desenvolvimento.
Recusamos um "Mar, sobre as nossas cabeças".

António Aires

Sábado dia 19 de Abril - Barragem de Fridão em debate na Câmara Municipal

A comissão de acompanhamento da barragem de Fridão, criada no âmbito da Assembleia Municipal de Amarante, promove no próximo sábado dia 19 de Abril, pelas 15,00 horas, no Salão Nobre dos Paços do Concelho, uma sessão pública que contará com a participação dos professores Hélder Leite e Rui Cortes e a engª Berta Estevinho.

A Engª. Berta Estevinho abordará, na sua intervenção, os seguintes temas:

- Sustentabilidade ambiental (necessidades energéticas/qualidade ambiental)- Plano Hidrológico – breves considerações ao PNBEPH (Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico)
- Bacia Hidrográfica do Tâmega:Identificação/sensibilidade (classificação como zona sensível)
- Possíveis consequências da construção da barragem de Fridão:Problemas ambientais (eutrofização das águas…)

A comunicação do Professor Hélder Leite terá como tema “Fridão na rota da Produção hídrica em Portugal?”, com os seguintes conteúdos:

- Portugal e a energia.- Portugal, a União Europeia e as energias renováveis.- O que é a energia hídrica?- Os conceitos associados à energia hídrica.- Hidroelectricidade em Portugal: a actualidade.- Caso da barragem de Fridão.- Vantagens e desvantagens da energia hídrica.

Na sua intervenção, o Prof. Rui Cortes tratará os seguintes temas:
- Impactes ambientais de barragens, com destaque para os aproveitamentos de Foz Tua e Sabor- Expectáveis impactes de Fridão.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Amarante em risco

Li algures um notícia que aponta para o mês corrente a adjudicação da construção da Barragem de Fridão.
E perguntei-me se é correcto avançar para a adjudicação, dando como certa a construção, sem que um Estudo de Impacte Ambental sustente a decisão!
E pensei: Passou-me alguma coisa ao lado?
E vai daí fui ao site do INAG, ver o Plano Nacional de Barragens de Elevado Potencial Hidroeléctrico (PNBEPH). E com cheiro de estudo de impacte sobre Amarante, encontrei uma "coisa", com o nome de anexo V.
E resolvi ler...
Neste anexo V que se refere ao "Aproveitamento Hidroelétrico de Fridão, (Rio Tâmega) e mais especificamente no ponto 1.2 - Geologia e Geotécnia, referem taxativamente na Introdução que "Para a elaboração do presente trabalho procedeu-se à recolha e análise dos elementos bibliográficos existentes sobre a área em estudo...". Continuando a análise do mesmo ponto 1.2 lê-se mais abaixo" no troço onde será implantada a barragem, o rio escavou um vale apertado e profundo relativamente assimétrico, com vertentes ingremes e elevadas, ligeiramente superiores na encosta da margem esquerda(Fridão).
Logo de seguida refere no mesmo ponto que, "de acordo com a bibliografia consultada, na zona do aproveitamento não se prevê a ocorrência de fenómenos de instabilidade nem de outros processos geomorfológicos activos relevantes que mereçam ser referidos no contexto deste estudo (...).
Chegados ao ponto 1.2.2.4 e no tema Tectónica e Sismicidade adianta-se que "sob o ponto de vista tectónico, devido às fortes acções tecnónicas a que o maciço foi sujeito, os xistos (blá...blá...blá.)
Mais abaixo refere que " a área do aproveitamento é cortada por diversas falhas, (...).
E finalmente que " a região em que se inscreve o aproveitamento situa-se na zona sismica C, isto é, de risco sismico reduzido, correspondendo a um coeficiente de sismicidade, α = 0,3.
Por estranho que possa parecer, a questão da tectonica e sismicidade, merecem tão pouca importância que com ela perderam o irrisório número de 3 páginas!?
O que me parece ainda mais grave é que os estudiosos, não terão posto o pé no local, nem terão feito qualquer estudo próprio, com os meios mais modernos, que hoje seguramente terão.
Afirma-se repetidamente naquele anexo do PNBEPH que as afirmações feitas decorrem da "recolha e análise de elementos bibliográficos existentes...", " de acordo com a bibliografia consultada".
Julgo que é mais do que suficiente para concluirmos que afinal, aquele anexo específico sobre a barragem de Fridão, poderia ter sido feito por qualquer indivíduo regularmente capaz de recolher bibliografia e de saber interpretá-la.
Fico preocupado pois nem sequer terão procurado a bibliografia mais adequada ; nem lhes terá passado pela frente dos olhos (!!)um já existente "Estudo de Impacte Ambiental" em tempos (cerca de 15 anos), encomendado pela EDP à Tecninveste-Enge Rio - Portugal e que aborda a questão da sismicidade com muita maior cautela e preocupação!!
Resolvi passar os olhos por esse estudo de Impacte Ambiental e aqui ficam algumas das informações mais preocupantes.
Sem falar das consequências decorrentes da erosão que irão afectar todos os terrenos a juzante; da má qualidade da água que será debitada pela barragem; da elevação do nível freático das zonas vizinhas e consequente comunicação das águas dos poços de abastecimento com as das fossas sépticas; das consequências castastróficas sobre a fauna e a flora; o que me parece mais grave é o que este estudo do Tecninveste-Enge Rio - Portugal, refere no que à sismicidade diz respeito textualmente: " A futura albufeira do Fridão será construída numa área recortada por várias falhas de desenvolvimento regional e que já apresentam uma baixa actividade sismica. Esta actividade poderá manifestar-se a qualquer momento, independentemente da construção das obras do empreendimento ou até como consequência do próprio enchimento da albufeira. Não há, entretanto, maneira de prever tais fenómenos sismicos, suas causas e consequências no ambiente".
Mais adiante, o mesmo estudo, que me parece bem mais sério do que o agora apresentado pelo PNBEPH diz textualmente: "tendo em conta que a albufeira do Fridão será construída numa área recortada por várias falhas de desenvolvimento regional, que já apresentam baixa actividade sismica, poderão existir riscos significativos de sismos induzidos". E recomendam: "Desta forma, é recomendável que se proceda à auscultação sismica da área do empreendimento, com início alguns anos antes do enchimento da albufeira, para que se tenham dados locais de referência; durante e depois.
Assim, caso ocorram eventuais sismos na área, poder-se-á determinar quais estão dentro dos valores naturais e quais os que já podem ser considerados como induzidos e, nesta situação e se for justificado, determinar quais as medidas a serem tomadas para que não hajam danos ao ambiente e às populações."
Nada tranquilizante... não lhes parece? Afinal a barragem não é tão inóqua como o PNBEPH a quer apresentar!
Resta-me dizer-lhes que este Volume IV do Estudo de Impacte da autoria da Tecninveste Enge-Rio - Portugal tem mais de 100 páginas, preocupantes noutras áreas, para além da questão sismica.
Gostaria ainda de saber a razão que levou a EDP a encomendar há cerca de 15 anos este estudo, e agora tudo fazer para o esconder!!
Desactualizado!? Ou inconveniente!?

António Aires

domingo, 13 de abril de 2008

O que eles dizem

A barragem de Fridão será implantada no rio Tâmega, aproximadamente à cota 72, junto à povoação de Fridão.
Será do tipo abóbada , com cerca de 90 metros de altura máxima acima do leito do rio.
O coroamento terá um desenvolvimento entre encontros de cerca de 440 metros.
A central deste aproveitamento será do tipo pé-de-barragem, ficando incorporada naquela estrutura.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Concelhia do PCP contra a Barragem de Fridão

Pronunciando-se sobre o Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico aprovado pelo Governo, a Comissão Concelhia de Amarante do PCP, reafirmou, numa sessão pública comemorativa do dia Mundial da Floresta, realizada em Fridão, a sua posição crítica relativamente a este Programa.
Declarando-se "a favor das energias renováveis, mas não a qualquer preço e não sem ter em conta os danos significativos ao património natural e construído que uma barragem em Fridão pode ter", o PCP acrescenta:
" Consideramos que o a eventual construção de uma barragem em Fridão seria o golpe de graça a um rio Tâmega já de si moribundo.
Discordamos de um projecto que desvaloriza o impacto ambiental, histórico e paisagístico para Amarante.
Entendemos que as consequências que este Projecto teria para a segurança da cidade, a possibilidade de uma ruptura e o restante impacto ambiental negativo, levam a que este projecto aponte na direcção errada em matéria de energia e ambiente, não contribuindo para um desenvolvimento sustentado da região.
É nossa opinião que é necessário dar mais atenção a soluções alternativas, mais efectivas a nível de custos e impactos ambientais tais como a microgeração, as mini-hídricas, a expansão da energia solar ou a redução dos consumos."

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Memória Curta



Estas placas afixadas na Rua do Covêlo (nunca esta designação terá assumido tão lúgubres conotações) assinalam, para a história, e para os mais esquecidos, o nível máximo das piores cheias de que há registo, e, acima de todas, a que poderia ter ocasionado uma 2ª tragédia, com relações directas com a queda da ponte de Entre-Os -Rios, uns dias antes, em 4 de Março de 2001, o que então foi julgado conveniente não trazer à baila.


A barragem de Fridão e o açude complementar, a jusante da cidade, na medida em que virão, sem qualquer sofisma ou exagero, a recriar definitivamente os ingredientes necessários a uma réplica daquela iminência de tragédia, exigem que se rompa o silêncio.
Comecemos por que a concretizarem-se aquelas baias, os amarantinos ficarão definitivamente emparedados entre um dique, 7 quilómetros a montante, e com 90 metros de água acima das suas cabeças, e um açude, imediatamente a jusante da cidade, num plano mais elevado que o do paredão da barragem do Torrão.
A justificação oficial para este açude, é a de impedir o refluxo das águas e algas da albufeira da barragem do Torrão, e decorrentes marés diárias, no troço da cidade, sendo óbvio que esta paternal preocupação, não passa de um mero álibi para colocar a barragem do Torrão a funcionar à cota de 65 metros, uma obstinação da EDP que nunca recuperou do trauma de os amarantinos se haverem oposto tenazmente à subida do nível do rio em cerca de 3 metros, na zona da cidade, para o que apontavam as marcas a vermelho ainda visíveis nos pilares da ponte .





Como o refluxo das águas e algas deixaram de se verificar desde que a Câmara Municipal consolidou os açudes dos Morleiros, este malabarismo demonstra à saciedade, que a EDP e os técnicos que elaboraram o Programa, não estão de boa fé nem são pessoas de bem.
E a troco de águas e algas que já cá não chegam, os beneméritos da EDP e técnicos, em conluio, propõe-se dar de barato, as margens, ínsua, arborização e percursos pedonais e toda a moldura da ponte-casario-Igreja de S. Gonçalo, o ex-libris da cidade, sem entrar em linha de conta com a nossa tranquilidade e segurança!
É que acerca daquela iminência de uma 2ª catástrofe, relacionada com a queda da ponte de Entre-os-Rios, em 2001, nunca passaram para o domínio público, algumas situações críticas, a que estiveram expostos os residentes na zona ribeirinha, sendo esta a hora de romper o pacto de silêncio, já que os ingredientes voltarão a estar reunidos, caso o projecto da barragem de Fridão e do açude, vão avante de mãos dadas.
A queda da ponte de Entre-Os -Rios, entre outras causas, (como a extracção de inertes, falta de manutenção ou de uma monitorização eficaz) foi consequência imediata e directa, de uma descarga excepcional e descontrolada da barragem do Torrão.
É que, em resultado da suspensão das descargas da barragem do Torrão, para permitir a busca dos corpos das vítimas em Entre-os-Rios, (anote-se que a data da cheia em 2001, se inscreve no período das buscas subsequentes à queda da ponte em 4.3.2001) o nível da albufeira, subiu de tal modo que, em Amarante, uma cheia normal em qualquer ano, atingiu então as proporções dantescas que as imagens documentam liminarmente.


Se admitirmos, com o mesmo grau de probabilidade, uma descarga descontrolada, ou necessária, das barragens previstas para montante da cidade, nos picos de uma cheia equivalente (e nem precisa ser histórica), o efeito conjugado, de um açude a barrar o livre curso da torrente , (como então o paredão do Torrão), mas agora a dois passos da ponte, e sem toda a capacidade da albufeira a amortizar o acréscimo do caudal, a perspectiva é aterradora .
Na verdade, e confrontado com a maior cheia de que há memória, em 21 de Março de 2001, o então vereador do pelouro da Protecção Civil, absolutamente alarmado com a vertiginosa subida das águas, tomou a iniciativa de mandar avançar um Caterpillar D-7, para as proximidades, para a eventualidade de ter que mandar derrubar as guardas da ponte, caso o rio viesse a fechar o arco central, e transpondo-a, reeditasse a queda da anterior ponte, vai para 250 anos.
Muitos desconhecem que a queda da anterior ponte ocorreu no século XVIII, aquando de uma cheia de comparáveis proporções.
E ainda há duas semanas numa reunião na Junta de Freguesia, um dos participantes, (com conhecimento de causa, já que filho de um antigo sacristão da Igreja de S. Gonçalo), contava que o seu avô lhe tinha relatado que, em 1939, aquando da maior cheia até então, mas ainda assim inferior à de 2001 , aconteceu que um tronco se atravessou entre os dois pilares do arco central, originando uma enorme acumulação de detritos, que estavam a desencadear uma subida galopante das águas que poderia reeditar a queda da ponte, mal fechassem o arco central.
Como não houvesse, na altura, tractores D-7, foram buscar (lenda ou não, aqui fica passagem oral do testemunho) a imagem de S. Gonçalo e com umas cordas suspenderam-no do meio da ponte, até aflorar a correnteza. E fosse por que fosse, não demorou muito até que o tronco se libertou e lá foi rumo ao mar com uma esteira de detritos no seu encalço e a ponte cá continua de pé, até mais ver. Será desta?
Por alguma razão a Sr.ª da Ponte, que repousa agora, em bom recato, no nicho na parede da Igreja, à entrada da ponte, e até ver em que param as modas, nunca mais quis voltar ao seu lugar no muro a meio da ponte, donde foi salva in extremis, quando esta ameaçava ruir . É que a partir do momento em que o futuro só à EDP pertence e tudo se resume a uma questão de números, nem S.Gonçalo nos vale!





Por Amarante sem Barragens

terça-feira, 1 de abril de 2008

O tempo urge!

Como reacção às notícias que hoje nos dão conta do anúncio da calendarização para o lançamento dos concursos para nove, das dez barragens, que integram o Plano Nacional de Barragens, reproduzimos, com a anuência do signatário, uma posição assumida junto do presidente da Câmara Municipal de Amarante, de inconformismo e contestação à marcha inexorável dos acontecimentos, no que toca à barragem de Fridão. Posição com a qual este grupo de cidadãos, reunidos no movimento cívico Por Amarante Sem Barragens, se identificada em toda a sua extensão.



Sr. Presidente da Câmara Municipal de Amarante:

Independentemente do que V. Ex.ª houver por bem transmitir-nos na reunião que se dignou conceder-nos na próxima 5ª feira, à tarde, creio que esta notícia será de molde a que V. Ex.ª tenha que reajustar o calendário que certamente teria em mente para concretizar e avançar com mecanismos objectivos para impugnar o Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico, no que toca à barragem de Fridão, em harmonia com a vossa posição e promessas públicas, a que estarão atidos os amarantinos que em V. Ex.ª continuam a depositar as suas expectativas, em função dessas mensagens relativamente tranquilizadoras.
Perante este anúncio perturbador, que vos terá surpreendido tanto quanto a nós, permitimo-nos sugerir a V Exª a urgência de alertar a comissão de acompanhamento erigida na Assembleia Municipal e a que preside o ilustre deputado municipal Exº Sr. Dr Abel Afonso, comissão cuja dedicação e trabalho nos não merece quaisquer críticas nem louvores, porquanto não transparecem minimamente para o domínio público.
Se no entender de V. Ex.ª a questão atingiu o ponto de não retorno, e V. Ex.ª se reconhece ultrapassado pelos factos, teremos que ponderar na reunião da próxima 5ª feira, e em conjunto com V. Ex.ª, se fará algum sentido agastarmo-nos em esperanças vãs, ou continuar a alimentar ilusões no povo amarantino, ou de outro modo, é vossa e nossa obrigação, alertar os munícipes, em relação a que o cenário se precipitou, só lhes restando equacionar todas e quaisquer formas de fazer chegar, aos responsáveis, a nossa sentida inconformação e revolta por mais este esbulho e atentado à nossa cidade de que as gerações futuras, certamente, e com toda a legitimidade, pedirão contas a todos nós, a começar naturalmente por V. Ex.ª que nos representa junto do poder central.
Só assim nos demarcaremos do que possa induzir que adormecemos ou beijamos demasiado a mão ao sistema, amolecendo a opinião pública com retóricas bizantinas ou discursos de circunstância (não excluindo a nossa quota-parte de ingenuidade cúmplice).
A V Exª, e como sempre, pertence a primeira e última palavra, contando incondicionalmente connosco, em alinhamento com os interesses de Amarante a que V Exª deve indeclinável e cristalina fidelidade.
Com os nossos mais respeitosos cumprimentos.

A Freitas

Concurso para a construção de quatro barragens lançado hoje

Outros cinco projectos lançados até final do ano

O ministro do Ambiente anunciou hoje o lançamento do primeiro concurso público para a construção das barragens de Gouvães, Padroselos, Alto Tâmega e Daivões, num investimento entre 450 e 760 milhões de euros.Outros cinco concursos serão lançados em meados e nos finais deste mês, assegurou hoje Nunes Correia. Os concursos para a construção das barragens de Pinhosão e Girabolhos vão ser lançados em meados de Abril e os das barragens de Fridão, Alvito e Almourol no final do mês, precisou o ministro. Estes cinco projectos, incluídos no Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico (PNBEPH), vão ser adjudicados até ao final do ano e representam um investimento de entre os 700 e os 800 milhões de euros.O ministro do Ambiente afirmou que as obras de Ribeiradio, Baixo Sabor e o reforço de potência do Alqueva terão início ainda este ano. A barragem de Foz Tua, a qual concorreu apenas a EDP, foi adjudicada ontem e a sua construção terá início no próximo ano.

Jornal "Público" 01.04.2008

terça-feira, 25 de março de 2008

Apresentação

Este espaço de debate e intervenção, nasce da vontade de um grupo de amarantinos (e não só) de diversos quadrantes, e transversalmente irmanados, visando constituir uma alavanca que potencie a inconformação de quantos repudiam a forma cega e imponderada como o Programa Nacional de Barragens de Elevado Potencial, equacionou a barragem de Fridão, a cerca de 6 quilómetros (o mais próximo dos 5 empreendimentos hidroeléctricos a erigir a montante da cidade, englobados na designada cascata do Tâmega), já que os factores sopesados comparativamente a outras soluções, foram, fria e notoriamente, focalizados na área a inundar, como se o seu impacto, directo, e incontornável, sobre a cidade de Amarante, fosse desprezível.Contrariamente ao que o programa minimiza ou escamoteia, a barragem programada para Fridão, virá a repercutir-se-á de forma irreversível e devastadora na cidade de Amarante, a nível das condições de vida, da qualidade da água para consumo, do regime e amplitude das cheias e sua incidência na segurança dos residentes, da completa destruição do revestimento vegetal das margens e ínsua dos frades, das praias fluviais, dos percursos pedonais beira-rio, da descaracterização radical da paisagem, com a irreversível rotura do diálogo harmónico da moldura ambiental com o conjunto monumental e histórico da ponte e Igreja de S. Gonçalo - uma trilogia âncora de uma economia exclusivamente virada para o turismo - como se tudo isso fosse tara sem valor e de somenos importância.Sem negar a relevância conjuntural dos recursos endógenos e das energias renováveis em toda a sua momentosa importância perante as questões ambientais, a incomportável factura energética e a nossa dependência dos combustíveis fósseis, esta insofismável realidade, não pode, nem deve, ainda assim, ser arvorada como um rolo compressor que leve de roldão, valores irresgatáveis e de uma hierarquia relativa sem precedentes, que não foram compaginados, por quem deliberadamente se virou de costas para os amarantinos.Visando complementar as reuniões abertas, e informais, que têm vindo a decorrer, semanalmente, na sede da Junta da Freguesia de S. Gonçalo, este fórum pretende alertar e mobilizar a sociedade civil, em articulação com a Comunicação Social e todos os quadrantes políticos e estrutura autárquica, para acções concretas, numa frente comum que demova os mentores deste erro histórico e demolidor para a nossa comunidade já por demais espoliada, e na sequência de mais um processo decisório, capcioso, de curta visão e exclusivamente pautado pela sofreguidão da rentabilidade directa