

Sobre a nudez forte da verdade - o manto diáfano da fantasia...
Afinal, a "cerca de metade da população" (a velha história do copo meio cheio ou meio vazio) que no dizer do Presidente da Câmara de Amarante, em plena Assembleia Municipal, (com base em elementos fornecidos por quem tem interesses no projecto) aceita a barragem de Fridão, não foi recortada localmente, mas abrange, também, depoimentos colhidos entre a população dos concelhos de Basto, que, naturalmente, se estará literalmente borrifando para a segurança dos amarantinos e nem precisa de procuradores. Significativo é o facto de "O Repórter do Marão" haver inserido na primeira página, aquele título de caixa alta, quando nas páginas centrais não consegue escamotear aquilo com que o presidente da Câmara deveria, em nosso entender, exultar, e que flui dos elementos facultados pela EDP, ou seja, que de entre os cerca 520 inquiridos, 50% ou mais, e certamente que a maioria significativa dos 287 amarantinos auscultados, não aceita a barragem (mesmo que isso, por hipótese, viesse ao arrepio dos desejos do edil). E com muito maior legitimidade do que aquela com que o Presidente do Executivo parte daquele universo da sondagem, para propalar que "os movimentos que falam da barragem nos blogues, não são a maioria da população", ousamos perguntar-lhe com que bases se julga representar a maioria silenciosa, quando exalta o copo meio vazio das poucas centenas dos que por aí acima aceitam a barragem, em vez de alinhar sem ambiguidades, com a outra metade que, por exclusão de partes, e com predominância dos que o elegeram e lhe confiam a sua segurança, não aceita a barragem ?! As 2817 assinaturas dos cidadãos que subscreveram a nossa petição contra a barragem de Fridão não serão a totalidade da sociedade amarantina. Mas, a nível de representatividade nesta matéria, está o presidente da Câmara muito mais desapoiado para nos apontar o dedo, com base numa sondagem em que "cerca" de metade dos 520 inquiridos estão connosco, e com predominância dos seus eleitores. Sem nos colocarmos ao seu directo serviço, e na medida em que o Senhor Presidente da Câmara de Amarante actuar em nome, e segundo os direitos, dos que o elegeram, poderá S. Ex.ª continuar a contar connosco, como era seu expresso desejo, há uns meses a esta parte, a menos que enverede por hostilizar os que tentam colmatar a falta de debate por que é directamente responsável. À margem assinale-se que alguém que, ao que tudo indica, anseia por barragens, escaqueirou, recentemente, ambas as placas que implantamos nos pegões da ponte, assinalando a cota 65, ao mesmo tempo que surripiaram a faixa que estava na Rua 31 de Janeiro apelando à subscrição da petição contra a barragem. Daqui apenas podemos inferir que os que aceitam a barragem estão mais activos e actuam por livre iniciativa ou, quando muito, contagiados pelo discurso, e não mais que isso.




Cá para nós: Amarante (ou os amarantinos?) está a afundar-se ou virada do avesso?



















