segunda-feira, 21 de setembro de 2009
Estudo de Impacte Ambiental na posse do Instituto da Água
Esta é a fase terminal da tramitação burocrática de um processo ilegal, mercenário e contranatural, de espoliação de recursos não renováveis do Tâmega e de toda a sua região, que tem merecido acesa e fundamentada contestação das populações locais, enquanto as autarquias locais fazem o jogo dos poderosos interesses em campo.
Sem travão judicial, seguidamente o Instituto da Água remeterá o processo para a Agência Portuguesa de Ambiente (APA) que desencadeará o procedimento de Impacte Ambiental, no qual está incluído um período de consulta pública.
Se os prazos a definir pela APA seguirem os tempos que têm sido habituais neste tipo de procedimentos, é expectável que a fase farsante da «Consulta Pública» ao Estudo de Impacte Ambiental da Barragem de Fridão ainda possa ter início este ano de 2009, talvez no decurso do mês de Dezembro.
--Publicada por Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega em Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega a 20/09/2009
terça-feira, 15 de setembro de 2009
Quercus toma posição sobre estado da albufeira do Torrão
A vergonha do ambiente em Portugal
O rio Tâmega, às portas de Amarante, reflecte no espelho da albufeira do Torrão a perda da qualidade das águas que deviam ter capacidade para usos múltiplos. Nas águas estagnadas pela Barragem do Torrão (Alpendorada e Matos – Marco de Canaveses) – a primeira com que o Ministério do Ambiente iniciou a artificialização do Tâmega – acumula-se todo o tipo de poluição proveniente das águas residuais urbanas e industriais que ainda não foram eliminadas do rio. A situação é de tal modo insustentável que o estado eutrófico que o rio Tâmega apresenta é visível à vista desarmada.
A má utilização do domínio público hídrico do rio Tâmega tem no concelho de Amarante a expressão mais significativa, quer pelo mau estado de funcionamento da nova ETAR da cidade – inaugurada há 10 anos, e já dada por obsoleta e pronta a ser desmantelada – quer pela baixíssima taxa de 17% de cobertura de saneamento básico.
Em «domínio público hídrico» classificado de «zona sensível» (Decreto-Lei n.º 152/97, de 19 de Junho), entre Amarante e Marco de Canavezes, a cor verde, pastosa e pestilenta que as águas do Tâmega apresentam na época de Verão, contrastando com a cor negra que registam nos restantes meses do ano, são o resultado da proliferação de fitoplâncton designado por algas azuis ou cianobactérias. As suas margens estão transformadas em pântanos de lodos negros e fétidos onde se acumulam resíduos de todo o tipo, testemunho da insustentabilidade na relação da cidade com o rio.
Esta situação perdura há vários anos em violação do quadro legal nacional (Lei n.º 58/2005, de 29 de Dezembro (alínea a) – número 1 – artigo 7.º) e europeu (Directiva n.º 2000/60/CE, do Parlamento Europeu e do Conselho, de 23 de Outubro de 2000) e parece estar fora das preocupações e controlo das autoridades nacionais, nomeadamente do Ministério do Ambiente, da Autoridade Nacional da Água/Instituto da Água, da Administração da Região Hidrográfica do Norte e da Câmara Municipal de Amarante.
De acordo com a Lei, promover a utilização «eficiente» dos recursos hídricos nacionais visando «uma nova abordagem aos temas da água em Portugal, no quadro do conceito de desenvolvimento sustentável» (Resolução do Conselho de Ministros n.º 113/2005, de 30 de Junho) exige responsabilidade e acção por parte das instituições públicas, o que em relação ao Tâmega não tem acontecido.
Considerando:
- A Década Internacional para a Acção «WATER FOR LIFE» (2005-2015) da ONU (Resolução A/RES/58/217, de 23 Dezembro 2003);
- A Declaração do Milénio proclamada pela Assembleia-Geral das Nações Unidas nomeadamente quanto ao princípio enunciado para «pôr fim à exploração insustentável dos recursos hídricos» (Resolução A/RES/55/2, de 8 de Setembro de 2000 (capítulo IV – n.º 23 – ponto 4.º);
- O conceito da «gestão sustentável da água» e o princípio do «desenvolvimento sustentável» consagrados no regime jurídico em vigor que estabelece as condições de utilização das águas de superfície;
- Que se trata de um meio lêntico classificado de «ecossistema a recuperar» (Decreto Regulamentar n.º 19/2001, de 10 de Dezembro (alínea n) - Parte VI), excepcionalmente degradado por força do incumprimento do quadro legal em vigor.
Para que a Lei no Tâmega seja cumprida, a Quercus solicita a pronta intervenção e investigação do Ministério Público, de modo a apurar as responsabilidades institucionais dos diversos intervenientes públicos e privados que levaram o rio Tâmega ao estado de degradação em que se encontra.
A Quercus apela também às populações de Mondim de Basto e Celorico de Basto que se desloquem ao local para que vejam com os seus próprios olhos o possível futuro do rio Tâmega na albufeira da prevista barragem do Fridão. * Para visualização da situação descrita poderá ser consultado o vídeo disponível sobre o tema na Quercus TV - http://www.quercustv.org/spip.php?article186
Formão, 15 de Setembro de 2009
As Direcçôes dos Núcleos Regionais de Vila Real e Viseu e do Porto daQuercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza
domingo, 13 de setembro de 2009
O PORTUGAL DOS PEQUENINOS
- Já não sustento grandes ilusões sobre uma reacção consequente dos meus conterrâneos perante este esbulho da nossa qualidade de vida, riqueza ambiental, e paisagística, um património que recebemos e sobre o qual teremos que prestar contas às gerações futuras.
- Isto porque os amarantinos actuais têm uma inesgotável capacidade de encaixe, bem patente (para não ir mais atrás) na calma olímpica com que assistimos ao encerramento (sem pré-aviso) da linha de CF, ao encerramento da maternidade, ou suportámos, anos a fio, o aspecto e o cheiro de uma manta de gasóleo sobre o rio, a partir do largo de S.Gonçalo, mesmo em plenas festas da cidade, sem qualquer queixume audível para além do dos forasteiros que não queriam acreditar no que os seus olhos e nariz viam e cheiravam, tendo o cortejo prosseguido com luzimento costumeiro.
- Tenho ainda menor fé em que os políticos locais, ou o poder autárquico, arregacem as mangas por sua iniciativa.
- Nada devo nem recebo, e não detendo procuração dos meus conterrâneos, também me não revejo no seu silêncio.
Perante esta apagada e vil tristeza reitero o diagnóstico que pessoalmente aqui lavrei e assinei, em 28 de Abril de 2008, e se quiserem poupar-vos ao incómodo de abrir um vídeo que é da inteira responsabilidade da Quercus, ou de descerem a Formão na 3ª feira, têm o espectáculo ao vivo, se olharem pela janela do carro ao passar no viaduto da A -4.
Artur Teófilo da Fonseca Freitas "
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
O exemplo do Torrão.
Façam boa viagem e já agora, abram os olhos enquanto é tempo.
terça-feira, 18 de agosto de 2009
(Com a devida vénia ao José Afonso e ao JN de hoje, página 21)
Bastaram uns dias de Verão "à moda antiga" para que o rio Tâmega, no Marco de Canaveses, ficasse coberto por um manto de algas azuis que ficam verdesem contacto com as margens. A ausência de corrente devido à barragem do Torrão,aliada à poluição do rio - que em muitos locais recebe esgoto sem tratamento , potencia o fenómeno quando se registam temperaturas elevadas. Além de conspurcar a água, as algas acabam por apodrecer, libertando um cheiro nauseabundo. Indiferentes aos perigos e ao odor, há banhistas que continuam a refrescar-se no Tâmega, dentro do "caldo" de algas. A.O.
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
Para memória futura

Imagem de destruição na central hidroeléctrica
Uma explosão, às 04:42h (01:42h em Lisboa), provocou a destruição parcial da parede da sala das máquinas e a sua inundação, segundo informação divulgada pelo Ministério para Situações de Emergência da Rússia.
Os peritos consideram que a explosão se pode ter devido a um "golpe hidráulico".
"Uma das causas mais prováveis do acidente é um golpe hidráulico, ou seja, o aumento drástico da pressão. Ainda se desconhece o que provocou isso. Os trabalhos de reparação continuam", declarou Dmitri Kudriavtsev, porta-voz do Centro Regional de Emergências.
Segundo Dmitri Kudriavtsev, a central hidroeléctrica, uma das maiores do mundo, foi parada logo após a explosão e foi feita uma descarga de água de emergência para evitar a inundação das localidades próximas da albufeira.
Vassili Zubakin, presidente do consórcio RusHidro, proprietária da central, declarou que serão necessários meses de trabalhos de reparação para que a situação volte à normalidade.
A suspensão do fornecimento de energia eléctrica por essa central, que tem dez geradores de 640 MW, cada um com uma potência de 22,8 mil milhões de kilovates hora por ano, está a prejudicar seriamente o funcionamento de fábricas de metalurgia situadas naquela região da Sibéria.
Ver vídeo e apontamento na Euronews clicando em
http://pt.euronews.net/2009/08/19/desparecidos-na-barragem-russa-de-sayano-shushenskaya-estao-provavelmente-mortos/
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
Barragens e nova ponte sobre o Tejo obrigam o país a consumir mais energia
Os grandes projectos de obras públicas defendidos pelo Governo de José Sócrates contradizem os seus próprios compromissos de política energética e ambiental e, em vez de porem o país a poupar, vão levá-lo a consumir mais energia, a emitir mais dióxido de carbono e a gastar mais dinheiro.

Esta é a ideia de fundo de um estudo elaborado pelo presidente do Geota (associação ambientalista), Joanaz de Melo, que pega em dois casos concretos - terceira travessia sobre o Tejo e o programa nacional de barragens - para demonstrar que se trata de opções "insustentáveis" face à sua factura energética e ambiental.
Segundo os cálculos de Joanaz de Melo, professor de Engenharia do Ambiente na Universidade Nova de Lisboa, os 700 milhões de euros de investimento previsto para o tabuleiro rodoviário da terceira ponte sobre o Tejo vão provocar, a prazo, um aumento de um por cento da procura de energia final, e mais um por cento de emissões de CO2, por via do novo tráfego que vai gerar.
O programa de novas barragens (as 10 barragens do novo programa, mais o Baixo Sabor e Ribeiradio) vai custar, por sua vez, três mil milhões de euros e vai também contribuir com o acréscimo de um por cento da procura de energia final.
Ora, diz o ambientalista, com significativamente menos dinheiro, com medidas dirigidas para a eficiência energética para vários sectores económicos e com tempos de retorno também menores, o país pode poupar até 30 por cento da energia que consome hoje. Com cerca de oito vezes menos capital (400 milhões de euros) do que o necessário para realizar o programa de barragens, garante que o país pode reduzir a procura de energia final em 1,3 por cento, reduzindo a energia mal gasta. Comparando com os tempos de retorno dos grandes investimentos públicos, de 40 anos na travessia do Tejo e de 70 anos nas barragens (correspondentes aos prazos de concessão), o do investimento em eficiência energética é sete a 10 vezes inferior.
Se, por um lado, o programa vai estimular o consumo de mais energia (sem emissões), quando o discurso oficial é no sentido de uma maior eficiência do mesmo consumo, por outro, o esforço financeiro necessário é elevado para o resultado final projectado. "A relevância nacional do programa de barragens é mínima", conclui Joanaz de Melo.
Embora defenda que o programa não terá os benefícios ambientais pretendidos, concorda que estas grandes centrais "ajudam na operação das redes eléctricas", para responder aos períodos de pico e ao equilíbrio do sistema com a produção eólica e térmica. Contudo, considera que estes problemas podem ser "significativamente minimizados" por via da eficiência energética. Consumindo menos, o país reduziria os seus picos também. Quanto à ligação à restante produção, defende que o Governo devia apostar em maior capacidade de bombeamento das barragens e no reforço das já existentes, algo que o plano não estudou.
domingo, 2 de agosto de 2009
PROPAGANDA DE VERÃO, EDP & COMPª
Do JN de 2 de Agosto de 2009

Do mesmo JN em 11 de Janeiro de 2009
Dizia o Dr Armindo Cunha Abreu em 14 de Junho de 2009, com a sua proverbial autoridade na matéria criar condições para um futuro monopólio da água!
sexta-feira, 24 de julho de 2009
Delegação do Movimento Cidadania para o Desenvolvimento do Tâmega recebida na Presidência da República

No seguimento de várias diligências a nível do poder local, uma delegação do «Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega», integrando nove elementos oriundos de Amarante e dos Municípios de Basto afectados pela projectada barragem de Fridão, foi recebida, pelas 14H30 do passado dia 21 de Julho, na Presidência da República, em audiência que durou mais de uma hora e meia, e a que presidiu o Professor Doutor Artur da Rosa Pires, consultor para a Ciência e Ambiente, da Casa Civil do Presidente.
Não questionando, de raiz, a necessidade de o País, confrontado com o peso da factura energética, lançar mão dos recursos endógenos, nomeadamente do potencial hidroeléctrico disponível, com as habituais cedências e ganhos, as objecções dos intervenientes centraram-se nos desproporcionados custos ambientais e de segurança (entre outros) que recairão sobre os quatro concelhos do Baixo Tâmega (Amarante, Cabeceiras de Basto, Celorico de Basto e Mondim de Basto) uma das regiões mais empobrecidas do País.
Por outro lado, foi denunciada a ligeireza com que se irá consumar a completa artificialização do rio Tâmega, da nascente até à foz, à revelia de um obrigatório (e prévio) Plano de Bacia Hidrográfica em que deveria filiar-se a sobrecarga de metade dos empreendimentos previstos para o todo nacional, numa bacia oficialmente classificada como zona sensível, por sujeita a elevados processos de eutrofização, e, como tal, um sistema a recuperar.
A este propósito foi recordado que a afectação integral da água do Tâmega, ao uso hidroeléctrico, em detrimento de muitas outras valências, colidindo alegadamente, com a directiva-quadro comunitária sobre a água, foi objecto de uma queixa para a comissão Europeia, subscrita por diversas associações ambientalistas, (e que o Movimento Cívico secundou), tendo Bruxelas enveredado por encomendar a uma empresa externa, uma avaliação independente de todo o Programa de Barragens.
Foi também realçada a sintomática omissão de qualquer referência a impactos a jusante da Barragem de Fridão, tal é o caso de a própria localização da barragem, que no programa é citada como distando 1800 metros de uma inexistente povoação do Moimenta, numa clara intenção de deixar na penumbra a proximidade da cidade de Amarante e os incontornáveis riscos para a população, o que os próprios técnicos nem ousam negar, ficando-se por que ninguém podendo em boa consciência garantir um risco zero, a possibilidade da rotura da barragem de Fridão é da ordem de um para um milhão, bem sabendo que a tal probabilidade haverá que afectar o número de vidas em risco na zona a inundar em caso de rotura.
Foi também acentuado que, posteriormente à adjudicação da construção e exploração do projecto objecto do concurso, a EDP, já não se bastando com um empreendimento apresando 200 hectómetros cúbicos de água a pouco mais de seis quilómetros, e a uma cota 110 metros superior à do rio na zona da cidade, usando do sofisma da regularização do caudal em Amarante, avançou para uma 2ª grande barragem, com 30 metros de altura e a pouco mais de dois quilómetros da área urbana, um pesadelo acrescido, com que a actual e as futuras gerações de amarantinos terão de conviver, paredes-meias.
Ainda assim os técnicos da EDP não se coíbem de desdramatizar tal ameaça, como num recente programa passado na TSF e patrocinado por aquela empresa, em que equipararam tais riscos aos que pairam ou não, sobre as cidades do Porto e Gaia derivados da proximidade da Barragem de Crestuma-Lever, cuja cota máxima, da ordem dos 30 metros, a desqualifica como termo de comparação.
[Neste momento, e para descrédito de tais juízos em causa própria, estamos em condições de assegurar que apesar da desproporção relativa, as implicações de segurança da barragem de Crestuma-Lever estão a ser devidamente equacionadas e claramente admitidas pela Autoridade de Protecção Civil, a nível do Plano Director do Concelho de Santa Maria da Feira, enquanto em Amarante a segurança é tema tabu].
Foi ainda sublinhada a escassez da informação que passa para o domínio público, num autêntico blackout por que são responsáveis – por acção ou omissão – os partidos mais representados nos órgãos autárquicos, e, mais directamente, os seus representantes numa comissão de acompanhamento designada no âmbito da Assembleia Municipal, (na qual tem assento o chefe do Executivo) e que continua sem dar sinais de vida.
Foi citado, a este propósito, um pedido de parecer sobre a viabilidade de embargo judicial do projecto de Fridão, e que, encomendado ao gabinete jurídico municipal, no seguimento de uma decisão maioritária do Executivo, em 5 de Maio de 2008, continua “congelado” vai para 14 meses.
Este, provavelmente, o mesmo destino de uma recente recomendação de um deputado à Assembleia Municipal, instando no sentido de que o Executivo, face às recentes declarações da Dr.ª Luísa Lima, do ISCTE, ao Amarante TV – na qualidade de convidada pela EDP – reconhecendo que " é devida, aos nossos conterrâneos, muito mais informação do que aquela que têm tido" diligenciasse, no mínimo, obter antecipadamente, dos departamentos envolvidos, e sem mais delongas, os mapas de inundação, populações, bens e ambiente, em risco nas zonas afectadas pela onda de inundação, e respectivo tempo de chegada após um remotamente possível colapso da barragem, consoante consignado nas alíneas c), d) e e) do nº 1 do art.º 50º do Regulamento de Segurança de Barragens, de modo a que população assuma tudo o que o projecto implica de radicalmente contrário à propaganda (ou publicidade enganosa) com que é bombardeada pela EDP com amplo recurso a todos os meios de comunicação.
Enunciadas estas várias vertentes em que a delegação fundamenta a sua oposição ao Programa de Barragens, em nome dos milhares de subscritores de duas petições abertas na Internet, restou deixar expresso que, com a consciência de que o Presidente da República não detém instrumentos constitucionais para se imiscuir nos aspectos especificamente técnicos, da área do Executivo, tal não implica com a faculdade e o direito de o supremo magistrado da Nação, ser informado pelo Governo e Departamentos subordinados, sobre matéria que implique, em última análise, com a segurança de uma comunidade inteira, em ordem a tranquilizar a população exposta, ou interpor-se a um projecto que envolva riscos subjectivos ou objectivos, incomportáveis.
A encerrar, o assessor da Presidência anunciou que havia registado vários subsídios para o relatório que iria sujeitar à apreciação de S Ex.ª o Presidente da República, não deixando o Movimento de Cidadania Para o Desenvolvimento do Tâmega, de ser oportunamente notificado do resultado desta diligência.
quinta-feira, 2 de julho de 2009
Presidência da República vai receber Movimento Cidadania para o Desenvolvimento do Tâmega
Esta reunião, está marcada para as 14,30 horas do dia 21 de Julho, e nela, aquele Movimento Cívico, irá fazer a defesa dos principios documentados no Manifesto «Salvar o Tâmega e a Vida no Olo», a que já fizemos referência neste blogue e que podem ser consultados em: http://cidadaniaparaodesenvolvimentonotamega.blogspot.com/
terça-feira, 30 de junho de 2009
Com votação decisiva de deputados amarantinos, Assembleia da Comunidade Intermunicipal do Tâmega e Sousa chumba MOÇÃO CONTRA A BARRAGEM DE FRIDÃO
Na segunda sessão ordinária da Assembleia Intermunicipal da Comunidade Intermunicipal do Tâmega e Sousa , que ontem, dia 29 de Junho, teve lugar no auditório do Pavilhão de Feiras e Exposições (Agrival) em Penafiel, foi apreciada e votada uma moção subscrita pelos deputados amarantinos José Emanuel Queirós e Luís Van Zeller de Macedo, intitulada «Pelo direito à vida no vale do Tâmega! Pelo Tâmega livre da pressão das barragens!», na qual se exortava os órgãos de soberania do Estado Português “ao cumprimento do quadro legal que estabelece o quadro institucional para a gestão sustentável das águas”, mediante a retirada do escalão de Fridão do Programa Nacional de Barragens e consequente anulação da concessão para construção da barragem atribuída à EDP.
A votação registou 27 abstenções, 10 votos a favor e 14 votos contra, entre os quais, e com peso decisivo, os dos deputados Celso Freitas, Jorge Pinto e Ercília Costa, eleitos pelo PS para a CIM-TS em representação da Assembleia Municipal de Amarante.
segunda-feira, 29 de junho de 2009
Presidente não responde ao BE
RECOMENDAÇÃO
Ex.mº Sr. Presidente da Mesa da Assembleia Municipal
Tendo presentes as recentes declarações da Dr.ª Luísa Lima, do ISCTE, ao Amarante TV - na qualidade de convidada pela EDP - concluindo que ".é devida, aos nossos conterrâneos, como um imperativo ético, muito mais informação do que aquela que têm tido.";
E ainda as recentes declarações do técnico do LNEC, na TSF, num programa patrocinado também pela EDP, asseverando, sem margem para dúvidas, a pretexto do empreendimento de Fridão, que ninguém pode garantir um risco zero;
E uma vez que é mais do que evidente o colapso irreversível da Comissão de Acompanhamento, (de que o Sr Presidente da Câmara faz parte) ;
O Bloco de Esquerda vem requerer através da Mesa, e ao abrigo da alínea c) do nº 1 do art.º 54º do Regimento da AM, que o Executivo solicite aos departamentos envolvidos, e sem mais delongas, os mapas de inundação, populações, bens e ambiente, em risco nas zonas afectadas pela onda de inundação, para o cenário mais desfavorável, consoante enunciado nas alíneas c),d) e e) do nº 1 do art.º 50º do Regulamento de Segurança de Barragens, já que, embora remota, a hipótese de colapso não poderá ser completamente anulada, como tem sido repetidamente afirmado pelos vários reputados técnicos cujas opiniões têm vindo a publico.
Amarante, 27 de Junho de 2009
Elisa Antunes, deputada à AM pelo Bloco de Esquerda
Na sequência da apresentação desta Recomendação, Elisa Antunes questionou o Presidente da Câmara do seguinte modo:
"A propósito da entrevista dada pelo Presidente da Câmara de Amarante à TSF, na qual diz, mais ou menos isto:- " a barragem pode não trazer nada de mau, mas também não traz nada de bom..." eu queria fazer as seguintes perguntas ao Senhor Presidente da Câmara:
- Será que os interesses da EDP se sobrepõem aos interesses dos Amarantinos?
- Ter-nos-ão prometido algo em troca que nós Amarantinos desconheçamos?
- Está disposto a ir até onde, na defesa dos interesses dos Amarantinos vs interesses da EDP e do Governo/Partido Socialista?
- O que nos diz sobre os riscos? Poderemos falar em risco zero?
- E, para finalizar, o Senhor é contra ou a favor da construção da Barragem?
A resposta do Presidente da Câmara foi a seguinte:
- Não respondo, porque as perguntas postas pelo BE baseiam-se numa ofensa.
domingo, 28 de junho de 2009
A propósito deste comentário, transcrito da revista "Pública" de hoje, o Movimento Cívico Por Amarante Sem Barragens, enviou ao seu director o seguinte texto:
A EDP já sente que o seus prepotentes e megalómanos projectos de Barragem, que o Governo vendeu barato pela pica propagandística, não acolhem simpatia e que geram uma forte oposição de muitos cidadãos que habitam os locais visados. Sinal disto é que não esperaram muito, nem olharam a gastos, para lavar a cara e mudar a maré das coisas, mesmo sabendo que a maré da comprometida maralha que nos governa de grosso modo, lhes leva a água ao moinho desde o início.Sob o mote "Quando projectamos uma Barragem, projectamos um futuro melhor", contratou Paulo Gonzo para compor um hit tipo genérico de novela ranhosa, estreado num concerto a 300 e tal metros de profundidade, para musicar uma imensa campanha na Televisão, jornais e na internet, louvando o respeito de sacristia que têm pela Natureza. Isto, mesmo quando se quer acrescentar, artificial e insensivelmente, milhões de metros cúbicos de água a vales e a paisagens naturais.Aliás, para a EDP - e foi visível num dos debates a que se sujeitaram, ainda que com a condição de oradores privilegiados, sem contraditório em palanque, e com a defesa acirrada do prestável edil local - todo o superafectado Vale do Tâmega, o mesmo que faz a fronteira leste do Minho, não passa de um emaranhado de riscos curvos num mapa cartográfico. A preocupação ambiental , essa, é um mero exercício de marketing, porque a realidade mostra que não passa, nem passará, da esfera burocrática e de externalização dos problemas para institutos públicos e câmaras municipais sem capacidade, nem vontade política de os resolver - que se amanhem.Pouco lhes interessa, na verdade, a qualidade das águas ou se o impacto ambiental das imensas albufeiras vai ou não afectar duramente milhares de anos de equilíbrio entre a presença humana e a natureza, se vai ou não aniquilar ecossistemas e terrenos de cultivo. Nem se dignam, sequer, a baixar as tarifas que cobram às populações que resolveram incomodar. Por muito que se rodeiem em palavras bonitas, e delírios de Noé, nunca conseguíram, nem vão conseguir, compensar as perdas em lado nenhum. O mapa hidroeléctrico do País é e será, na sua grande parte, uma trágica reprodução do país desertificado, descaracterizado e sem perspectivas de desenvolvimento.Texto escrito por Vitor Pimenta, tirado do blogue "Avenida Central" http://avenidacentral.blogspot.com/
domingo, 14 de junho de 2009
Com amigos destes, Amarante não precisa de inimigos!...

quinta-feira, 30 de abril de 2009
Que Boas Pessoas que Eles São

quarta-feira, 15 de abril de 2009
Linha do Tua
I
Declarações emanadas Estudo de Impacte Ambiental (EIA):
1.A sua (Linha do Tua) articulação com a Linha do Douro fica (…) inviabilizada, e por conseguinte a manutenção do troço montante por parte da REFER (…) fica também inviabilizada; 2.A identificação das falhas (…) Bragança-Vilariça-Manteigas como falhas activas (…) sendo potencialmente capazes de gerar sismos de magnitude elevada; 3.O povoamento (…) não facilita o estabelecimento de percursos tradicionais de transporte colectivo rodoviário; 4.A área de influência (…) revela-se uma área (…) mal servida ao nível dos serviços mais procurados (…): esta situação agrava-se com as fracas acessibilidades e (…) escassez de oferta de transporte público; 5.A identificação e avaliação dos impactes do AHFT ao nível da sócio-economia evidenciaram (…) impactes muito negativos ao nível da economia local, em particular para (…) agricultura e agro-indústria, com repercussões também muito negativas ao nível do emprego e dos movimentos e estrutura da população.
A Barragem do Tua contribuirá no máximo em 0,5% de produção nacional de energia eléctrica, sendo que a maior fatia do défice energético do país provém do transporte rodoviário (combustíveis fósseis) e do desperdício doméstico. O reforço de potência da Barragem do Picote conseguirá produzir o equivalente a 75% do que irá produzir a Barragem do Tua, mas por 1/3 do custo desta, e se combinarmos os 3 reforços de potência de barragens previstos a nível nacional (Picote, Bemposta e Alqueva), estes produzirão o mesmo que 3 Barragens do Tua. O conjunto arquitectónico e de construção da Barragem do Tua insere-se na área do Douro Vinhateiro Património da Humanidade, cuja sustentabilidade, regra fundamental para a inclusão e manutenção na lista da UNESCO, fica posta em causa. A Adega Cooperativa de Murça, que perderá 60 hectares de vinha de Vinho do Porto, não foi sequer consultada, e as populações mostram a sua preocupação com compensações que rapidamente se esgotarão e não criarão suportes para o futuro. A posição do Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações é aliás explícita: a Linha do Tua é para ser mantida.
II
O PNPOT – Programa Nacional da Política de Ordenamento do Território, Lei nº 58/2007 de 4 de Setembro, é um documento que define um conjunto de objectivos estratégicos e um plano de acção para o território nacional, identificando para tal um conjunto de condicionantes e oportunidades de várias unidades geográficas. O PNPOT prevalece sobre todos os demais instrumentos de gestão territorial (artigo 4º, nº2).
Para o território de Trás-os-Montes e Alto Douro foram definidas as seguintes orientações:
1.Inserir este território nas grandes redes de transportes internacionais;
2.Reforçar a cooperação transfronteiriça, promovendo a cooperação inter-urbana para liderar projectos de valorização do território transfronteiriço e de exploração dos mercados de proximidade;
3.Proteger os produtos regionais de qualidade, preservando os territórios e o quadro ambiental da sua produção, nomeadamente o Vinho do Porto, produto único com marca de prestígio mundial;
4.Organizar uma rede de centros de excelência em espaço rural, notáveis pela qualidade do ambiente e do património, pela genuinidade e qualidade dos seus produtos, pela sustentabilidade de práticas de produção e pelo nível dos serviços acessíveis à população;
5.Assegurar a sustentabilidade dos serviços colectivos e de administração numa óptica de equidade social e de combate ao despovoamento, reforçando a dimensão funcional dos principais aglomerados numa perspectiva de especialização, complementaridade e cooperação.
Em aditamento, são identificados uma série de riscos no território nacional. Sobre os mesmos o PNPOT é claro: “a gestão preventiva de riscos constitui uma prioridade de primeira linha da política de ordenamento de território, sendo considerada um elemento obrigatório dos outros instrumentos de gestão territorial”. Estes riscos são representados num mapa, o qual anexo à presente carta, onde se identifica a área de construção da Barragem do Tua como em “perigo de movimento de massa”, e em “troço de influência de ruptura de barragem”.
III
Sobre a Barragem do Tua, a mais rentável do Plano Nacional de Barragens, causa-me grande estranheza que à partida se tenha dado vantagem a apenas uma concorrente: a EDP. Era inclusivamente atribuído um valor de 20% de peso de decisão sobre a barragem à questão da Linha do Tua, cuja destruição é apontada no EIA como dos principais pontos negativos do projecto, mas que outras fontes relativizam a todo o custo com uma ligeireza desconcertante. Estando ainda agora em discussão se esta será construída ou não, é espantoso o à-vontade com que a EDP movimenta maquinaria pesada, usa explosivos, e delapida parte do vale do Tua, pondo em perigo a circulação ferroviária, em cuja zona de intervenção se deram entretanto 3 acidentes. É sobretudo vergonhoso a forma como realizou estas obras sem licença, e como não só ignorou a ordem da CCDRN para repor o local à situação original, como se apropriou de domínio público, ao vedar o acesso à margem direita do Tua. O representante da EDP, António Seca, admitiu a 4 de Fevereiro num debate público em Murça que o EIA apresenta graves falhas na avaliação dos impactos indirectos na agricultura e respectiva indústria devido à alteração do microclima local, errando inclusivamente no cálculo das áreas de vinha e olival a submergir.O EIA reconhece que toda a Linha do Tua ficará inviabilizada, que a população envolvente carece fortemente de mobilidade, e que o contributo da barragem será globalmente negativo em factores determinantes para o desenvolvimento local, incluindo a própria formação de emprego. A proposta de alternativa rodoviária apresentada pela EDP insere-se numa zona considerada como inviável para tal, destruindo o verdadeiro eixo de transporte existente: a Linha do Tua.
Em segundo lugar, a Barragem do Tua está em clara violação do PNPOT. Pela inviabilização da Linha do Tua, e com a chegada da Rede Europeia de Alta Velocidade à Puebla de Sanábria em 2012, a 30km de Bragança, está-se a fazer tábua rasa dos objectivos de ligação às redes de transporte internacionais e cooperação transfronteiriça. É flagrante a forma como o PNPOT está a ser totalmente transgredido quando este define a protecção de produtos como o Vinho do Porto, e a Barragem do Tua vem destruir directamente vários hectares de vinha de produção deste e alterar o microclima das vinhas que restarem. A sustentabilidade de práticas de produção e serviços é arrasada, não só pela vinha arruinada mas pelo olival e outros cultivos em terrenos que não terão mais serventia por séculos, bem como pela anulação do transporte público oferecido pela Linha do Tua, que tanto serve população sem outras alternativas de transporte, como dezenas de milhares de turistas que suportam em boa parte o tecido turístico da região. Que dizer aliás da genuinidade de mais um espelho de água entre dezenas, quando se tem um vale e uma via-férrea, entre outros recursos endógenos únicos, cuja fama arrecadou a procura de turistas de vários países, sem qualquer tipo de publicidade?
Mas o mais grave é o facto da Barragem do Tua ser uma bomba relógio, menos insuspeita que a Barragem de Vega de Tera na Sanábria, cujo rebentamento matou 150 pessoas em apenas uma aldeia, ou tão suspeita quanto a de Valjont em Itália, cuja onda de cheia causada por deslizamento de terras na albufeira matou 2.000 pessoas, ao se ter ignorado negligentemente – como se está a ignorar agora – a instabilidade geológica da zona envolvente.
Em face a estes aspectos, outra reacção não me ocorre senão a total perplexidade perante a quantidade de distorções, ofensas e ameaças que a Barragem do Tua representa, e mais ainda com a insistência na sua construção. Não desejo explicações: uma base de sustentação sólida para esta barragem é inexistente, para além do facto de servir a EDP e o lobby da construção. Nada de benéfico advirá para a região, e o próprio país perderá com a destruição irreparável do Vale e da Linha do Tua, para além de ganhar um potencial desastre e um acréscimo de energia risível. Requeiro o reconhecimento tácito do estorvo que esta obra representará a nível regional e nacional, e o seu encerramento imediato, para terminar a situação de angústia e impasse em que a zona se encontra, concentrando todos os esforços no seu desenvolvimento sustentável, e não na sua delapidação criminosa.
Fevereiro de 2009
domingo, 29 de março de 2009
OLHA QUEM FALA...
Depois do que se ouviu na Conferência/Debate sobre “Riscos induzidos pela Barragem de Fridão”, enquanto o Marão on-line de 21 de Março realça:
"Os quatro especialistas de engenharia civil convidados pela Câmara Municipal de Amarante para um debate, sexta-feira à noite, sobre a segurança da barragem de Fridão, no rio Tâmega, não conseguiram tranquilizar os adversários da sua construção.
Os intervenientes asseguraram "a excelência da engenharia portuguesa" na construção de aproveitamentos hidroeléctricos, reputada em todo o mundo, mas ao mesmo tempo reconheceram "que não existem risco zero", deixando na centena e meia de assistentes a ideia de que a construção de duas barragens, a apenas três e seis quilómetros a montante da cidade, "é um facto consumado".
O responsável do LNEC, que se escusou naturalmente a dizer se era a favor ou contra a construção de Fridão, reconheceu, contudo, que não há nenhum caso em Portugal de uma cidade situada quase no sopé de uma grande barragem.
-O Público on-line, cita o vice-presidente do LNEC, "nenhum argumento conseguirá travar a construção das barragens no rio Tâmega, sobretudo se atentarmos à sua valia económica"
-O Notícias de Figueiró refere que "a construção da Barragem de Fridão tem sido tema de controvérsia e as forças vivas locais não apoiam o projecto".
- Vá lá , vá lá que para o Jornal de Amarante embora tendo citado que "os riscos existem em toda e qualquer actividade humana sendo impossível reduzi-los a um valor nulo", "existe a Engenharia precisamente para dar resposta a estes problemas e minorar até ao limite possível todos os riscos inerentes a empreendimentos como este......"que "o debate foi de sobeja produtividade , apesar das tentativas infrutíferas de alguns membros da plateia em destabilizar o debate transformando-o num confronto político..." (assim pensou e escreveu o sr José Guimarães) - (1) (2)
..."Se me perguntarem, assim como a muitos que lá estavam, se acreditam que a hipotética barragem algum dia colapsará, quase me atrevo a garantir que todos acreditam que não, mas ..." "...Havia quem estivesse presente e, tal como eu, não é capaz de se deixar convencer de que os riscos são mínimos, ou, mesmo que acredite que o são, não adquire tranquilidade os que estão mais interessado na agitação política e pouco interessados com a substância nesta matéria.A esses é que não há mesmo sal que os salgue". (1) (3)
(1)-Esteve presente, não interveio.
(2)-Membro da Juventude Socialista
(3)-Militante nº 21843 do Partido Socialista, deputado à Assembleia Municipal e membro da comissão política concelhia.
"Parabéns" ao Jornal de Amarante pela forma como vem assegurando o confronto das diversas correntes de opinião, quando a outros não deixa senão o recurso a passar as suas ideias como publicidade paga.
E agora, para que vai servir o próximo debate sobre o impacto ambiental da barragem de Fridão (?) se: - "a construção de duas barragens, a apenas três e seis quilómetros a montante da cidade é um facto consumado".- "nenhum argumento conseguirá travar a construção das barragens no rio Tâmega, sobretudo se atentarmos à sua valia económica"- "Todas as palavras estão ditas, resta construir, esta e outras barragens constantes do Plano Nacional (José Sócrates em Picote, no concelho transmontano de Miranda do Douro)."
Já agora coloquem na vossa base de dados:
MINISTÉRIO DO AMBIENTE, DO ORDENAMENTODO TERRITÓRIO E DO DESENVOLVIMENTO REGIONAL Decreto-Lei n. 232/2007
"... Desde cedo a experiência nacional bem como a resultante de outros ordenamentos jurídicos próximos do nosso, que dispõem de um instrumento análogo de avaliação de impactes ambientais de projectos revelou que essa avaliação (ambiental) tem lugar num momento em que as possibilidades de tomar diferentes opções e de apostar em diferentes alternativas de desenvolvimento são muito restritas.
De facto, não é raro verificar que a decisão acerca das características de um determinado projecto se encontra já previamente condicionada por planos ou programas nos quais o projecto se enquadra, esvaziando de utilidade e alcance a própria avaliação de impacte ambiental a realizar."
E juntem-lhe este artigo de ontem no Expresso

AVALIAÇÃO DE
IMPACTO AMBIENTAL
- AI, AI, AI
Há muitos anos, um autarca do
interior interrogava-se sobre as
vantagens de se construir uma
escola na sua aldeia: “Escolas para
quê se aqui ninguém sabe ler?” É o
mesmo tipo de raciocínio que os
governos fazem quando
consideram que a informação
e a comunicação não interessam
porque em Portugal ninguém
participa… Ou então porque são
sempre os mesmos a participar,
como também já se ouviu. Na
mesma linha de pensamento, as
audiências públicas dos estudos
de impacto ambiental (EIA) foram
sendo progressivamente
desincentivadas e, por fim,
dispensadas em 2001 e nunca mais
repostas. É certo que, desde que se
aprovou a Lei dos EIA, em 1990, as
coisas nunca funcionaram bem: a
informação disponibilizada ao
público era muitas vezes críptica,
vasta e tardia; os períodos da sua
consulta eram brevíssimos; e as
“inoportunas” sessões de debate
pareciam escolhidas para os
períodos do ano que garantissem
a presença de menos gente. A certa
altura considerou-se que geravam
algum ruído desconfortável, como
aconteceu com a célebre
co-incineração. A José Sócrates,
então ministro do Ambiente,
pareceu hipocritamente sensato
dispensá-las, tornando-as
facultativas – o que significou,
na prática, acabar com elas. E foi
assim que este importante
processo de mobilização cívica para
a informação, para a comunicação
e para a participação, recuou para
as eras napoleónicas, para não dizer
pior. Isto apesar da medida
contrariar a directiva europeia.
Entretanto, já lá vão oito anos
e nenhum outro responsável do
Ambiente – e já lá vão 12 entre
secretários de Estado e ministros –
se preocupou em repô-las. Até
quando?
Pode ser que perante esta farsa de sujeitar a discussão pública uma declaração ambiental sobre um projecto já decido e irreversível, o candidato às próximas eleições, Armindo Abreu, se recuse a ser conivente, e obtenha da comissão política concelhia a que preside em regime pós laboral, luz verde para tirar os calços que estão a travar o parecer que a Câmara encomendou ao Gabinete Jurídico, pois de outro modo, os seus apaniguados podem não bastar se na próxima homilia sobre impactos ambientais, entrarem novamente mudos e saírem calados, para depois salgarem o Jornal de Amarante onde têm tribuna livre, que muitos, maldosamente, consideram ser a follha do dr. Armindo Abreu.
sábado, 28 de março de 2009
SEGURANÇA ZERO
Ficou evidente que todos eles estavam de acordo, para nos "vender" a ideia de que as Barragens de Fridão e do Borralheiro, não ofereciam qualquer perigo para Amarante!!!
Pena foi que no painel de convidados reinasse o unanimismo cúmplice!
Mas apesar da relevância dos currículos individuais de cada um dos conferencistas, nada disseram que pudesse tranquilizar os amarantinos...!
Aliás, espremidas as intervenções que fizeram, podem resumir-se a uma só afirmação :
Não se preocupem, porque estão em boas mãos!
Contudo, não foram capazes de assumir que garantiam a segurança absoluta das barragens!
Até porque se a segurança absoluta pudesse ser garantida, eram perfeitamente inúteis os Regulamentos de Segurança de Barragens(RSB) que exigem a construção de Cartas de Risco, Planos de Emergência e a identificação clara de Sistemas de Aviso e Alerta e Previsão de Evacuação das Populações!
Restou claro que há sempre a possibilidade(por muito remota que nos possa parecer!) de colapso das barragens e aí será um "Deus nos acuda" ou atendendo à proximidade das barragens (uma a 3Km e outra a 6Km.) um "salve-se quem puder" que de pouco serviria à população amarantina e aos forasteiros que por cá estivessem!
Hoje é universalmente aceite que a SEGURANÇA..."pressupõe a continuidade da existência do que nos rodeia, ou da realidade tal como é considerada no presente ou é prevista no futuro, sem perturbações que provoquem prejuizos ou danos relativamente significativos, de ordem material ou imaterial, incluindo a perda de vidas.
"Vista por este prisma, a situação agrava-se, pois para além do elevado número de vítimas que um colapso das barragens provocaria, perderemos de qualquer modo(a construirem-se aquelas barragens!) outros valores que são inestimáveis a nível local!
Perderíamos o "valor imaterial" que constituem as nossas mais belas paisagens; "ganharíamos" um agravamento dos valores da humidade que já de si é elevada ao longo do vale; veríamos agravado o estado de deterioração das águas e do ar; perderíamos em termos de condições climáticas para a agricultura, e para a saúde e o "totoloto" iria trazer-nos um sem número de inconvenientes que se reflectiriam profundamente no agravamento da qualidade de vida dos amarantinos!
Com a construção daquelas barragens a nossa segurança ficaria reduzida a ZERO.
Contudo, a percepção do risco por parte dos amarantinos é cada vez maior e, a sua reacção será tanto mais firme, quanto mais nos quiserem impor tal risco!
Já todos perceberam que com a construção dessas barragens, nada têm a ganhar e tudo podem perder!
É ridículo que alguns nos venham agora falar de altruismo, muito preocupados com o défice energético nacional!
Até porque as Barragens de Fridão não iriam inverter o défice e até o próprio INAG previu a possibilidade de desistir das Barragens de Fridão e avançar para a opção Salamonde II, onde os impactos não seriam significativos!
Estou convencido que o bom senso irá impor-se e brevemente todos os amarantinos, sem excepção, dirão de forma muito clara que não aceitam guilhotinas suspensas sobre o futuro dos seus filhos!
Aliás a História acabará por julgar aqueles que por actos ou omissões, colaborarem no crime de condenar Amarante e o vale do Tâmega à destruição!
A nossa Democracia, não pode ignorar que os amarantinos têm de ser actores principais no processo de decisão!
Quem quererá assumir o papel de COVEIRO DA IDENTIDADE AMARANTINA?
Barragens em Fridão!? Não, muito obrigado!
Publicada por António em
http://www.aguaplana.blogspot.com/
terça-feira, 24 de março de 2009
domingo, 22 de março de 2009
Buscar lã e sair tosquiado
(in Marão on-line, sábado, 21 de Março de 2009)
Os quatro especialistas de engenharia civil convidados pela Câmara Municipal de Amarante para um debate, sexta-feira à noite, sobre a segurança da barragem de Fridão, no rio Tâmega, não conseguiram tranquilizar os adversários da sua construção.
Os intervenientes asseguraram "a excelência da engenharia portuguesa" na construção de aproveitamentos hidroeléctricos, reputada em todo o mundo, mas ao mesmo tempo reconheceram "que não existem risco zero", deixando na centena e meia de assistentes a ideia de que a construção de duas barragens, a apenas três e seis quilómetros a montante da cidade, "é um facto consumado".
Primeiro caso de uma cidade no sopé de uma barragem
Os sábios que aqui trouxe, sr Presidente da Câmara Municipal de Amarante, tiveram assim o despudor de considerar, de antemão, os Amarantinos, como tara perdida, não se coibindo de dourar a pílula com que "o risco é de um para dez milhões" .
Logo aqui o primeiro sofisma : entenda-se um para 10 milhões, multiplicado pelo número de habitantes da zona inundável - umas largas centenas , que ascendem a milhares, com a obrigatória contagem da população flutuante - bem sabendo quem assim fala, que o Regulamento de Segurança Barragens coloca a tónica no número de vidas em risco, não sendo indiferente que uma barragem daquelas dimensões seja erigida nas barbas de Amarante, ou no Cabo do Mundo e, já agora, no Castelo de S. Jorge sobranceira ao Martim Moniz ...!.
Ainda que assim fosse, sr Presidente, (e assim não será), adopte como termo de comparação, que, nesta semana, o sorteio do Euromilhões, averbou só em Portugal, três milhões, duzentos e quarenta e seis mil e quatrocentos e noventa e dois apostadores e que, mesmo não havendo qualquer apostador contemplado nos muitos mais milhões no conjunto de todos os Países, não será por isso que os que irão preencher o próximo papelinho, o fariam se não acalentassem o sonho de que a roleta os bafejará numa próxima oportunidade, ou seria deitar dinheiro fora. Aproveite esta imagem e não permita que em sentido catastrófico a EDP, de mãos dadas com o seu e nosso Governo (e circunstancialmente o seu partido, que tem algumas simpatias nalguns de nós, a par de prolongamentos nas construtoras de barragens) coloquem na tômbola a vida dos seus concidadãos, e a possibilidade de um Jackpot que lhes surja sob a forma de uma enxurrada que nos varra do mapa, apesar da excelência da engenharia portuguesa, neste caso infeliz, ao serviço de quem tem interesse em avançar com o projecto a qualquer custo...! As sumidades que na melhor das intenções, (estamos certos) aqui trouxe, para tranquilizar o auditório, ainda devem estar a tentar descortinar como foi que o tiro lhes saiu pela culatra.
Imaginemos o que seria se o nosso Presidente houvesse tido a prudência de convocar também a Autoridade Nacional de Protecção Civil, a tal que responde em primeira linha e em última análise pela nossa segurança, (já que estes sábios estão mais vocacionados para a segurança do betão e do investimento).
Ainda não foi desta que nos fizeram engolir aquela aposta de um para um milhão, perante o que consta da Internet, no site da Autoridade Nacional de Protecção Civil...


Cheias Induzidas por rotura de Barragens
Em Portugal Continental existem actualmente quase 100 grandes barragens e cerca de 800 de média e pequena dimensão, a grande maioria construída há já umas décadas. Apesar de projectadas e edificadas com toda a segurança, existe sempre algum risco de ocorrer a rotura de uma barragem, quer por colapso da sua estrutura, quer por cedência das fundações.
A rotura de uma barragem induz a jusante uma onda de inundação que pode afectar muitas vidas humanas e causar elevados danos materiais.
A actual legislação Portuguesa sobre segurança de barragens exige que as grandes barragens efectuem uma análise do risco de rotura e obriga os donos das barragens e as entidades governamentais a definirem mapas de inundação (com base em modelos hidrodinâmicos), de modo a permitir a definição de zonas de risco. Exige ainda que possuam planos de emergência, incluindo sistemas de alerta e aviso.
[Entretanto, os sábios que nos vinham tapar o sol com a peneira, bem sabem , e com obrigação de saber, que a cidade do Dr. Armindo Abreu (e de todos nós), se este assinar de cruz, ou passar um cheque em branco sobre a conta caucionada da segurança dos seus munícipes, irá inserir-se, para mal dos nossos pecados, na chamada Zona de Auto Salvamento, ZAS, a caracterizar no Plano de Emergência Interno, EEI, a elaborar, ainda por cima, pelo dono da obra, desta forma arrepiante:

Zona de auto-salvamento: a zona do vale imediatamente a jusante da barragem, na qual se considera não haver tempo suficiente para adequada intervenção dos serviços e agentes da Protecção Civil, em caso de acidente, e que é definida pela distância à barragem que corresponde a um tempo de chegada da onda de inundação, igual a meia hora, com um mínimo de 5 Km.
quinta-feira, 12 de março de 2009
Câmara promove Conferência/Debate sobre riscos induzidos pela Barragem de Fridão
segunda-feira, 9 de março de 2009
O copo meio cheio, ou meio vazio !?


sábado, 28 de fevereiro de 2009
domingo, 15 de fevereiro de 2009
FRIDÃO: EDP vai realizar as primeiras sondagens para a construção da barragem no rio Tâmega
Nos termos de um comunicado divulgado por aquela entidade regional, foi emitido "parecer favorável à realização de trabalhos de prospecção e pesquisa geológicas nos terrenos visados pela construção do Aproveitamento Hidroeléctrico do Fridão, na bacia do Tâmega".
A EDP foi a vencedora da concessão da barragem de Fridão, próximo de Amarante, no rio Tâmega, curso de água em que já dispõe do aproveitamento do Torrão, na foz do mesmo rio.
Segundo a CCDR-N, as sondagens serão executadas em área classificada como Reserva Ecológica Nacional (REN), razão por que foi requerida a autorização da comissão de coordenação regional.
A autorização, requerida pela EDP-Gestão da Produção de Energia SA, possibilita a realização de sondagens mecânicas e execução de 15 poços e de 30 perfis de investigação geofísica "numa extensão máxima de 120 metros".
A CCDR-N acrescenta que as acções autorizadas "têm ainda por objectivo a recolha de dados técnicos necessários à elaboração dos Estudos de Impacte Ambiental".
"A licença atribuída explicita, neste âmbito, que a empresa fica obrigada a manter as árvores que radiquem na faixa marginal de 10 metros das linhas de água e a realizar sempre acima de 20 centímetros do solo os cortes de arbustos estritamente necessários", lê-se no comunicado da CCDR-N.
A EDP fica obrigada a repor os terrenos nas idênticas condições às existentes antes das sondagens.
No estudo prévio apresentado à Câmara de Amarante, a EDP apresentou um plano para construção de uma barragem principal e de um contra-embalse, com uma altura de 30 metros, proposta que tem levado os ambientalistas a considerar que são duas barragens em vez de uma.
In: Marãoonline
sábado, 7 de fevereiro de 2009
Cientistas procuram estabelecer a ligação entre uma barragem e o terramoto de Sichuan
O sismo que fez 70 mil mortes na China pode ter sido precipitado por uma barragem, dizem cientistas dos EUA e da China. Mas a posição não é consensual
Desde que a terra tremeu na província chinesa de Sichuan, a 12 de Maio de 2008, os cientistas têm procurado perceber o que aconteceu. Investigadores da Universidade de Columbia (EUA) já tinham ligado o terramoto à construção de uma enorme barragem na região, mas agora há também cientistas chineses que concordam com essa tese. Mais de 70 mil pessoas morreram, cinco milhões ficaram sem tecto. Foi catástrofe natural? Ou foi também o resultado de acção humana?"Teria acontecido de qualquer maneira", disse ao The New York Times Leonardo Seeber, do Observatório da Terra Lamont-Doherty, da Universidade de Columbia. "Mas para as pessoas afectadas, o momento em que aconteceu é muito importante." Os cientistas estão de acordo quanto a aquele terramoto de magnitude de 7,9 na escala de Richter ser inevitável, mais tarde ou mais cedo. Mas divergem quanto à influência que teve a construção na região da barragem de Zipingpu, uma gigante capaz de albergar 320 milhões de toneladas de água, erguida a poucos quilómetros de uma falha geológica. A questão não é irrelevante, quer seja olhada na perspectiva científica ou política. Junta-se às críticas apontadas ao Governo chinês que, a propósito deste terramoto, já foi acusado de permitir a construção de escolas inseguras que desabaram sobre milhares de crianças.Num artigo publicado em Dezembro na revista chinesa Science Times, cientistas da Academia das Ciências negaram a relação entre a barragem e o sismo. "A maioria dos investigadores chineses concluiu que o sismo foi principalmente desencadeado por movimentos da terra", escreveu o engenheiro hidráulico Pan Jiazheng. Leonard Seeber, no entanto, disse ao New York Times que "o impacte de tanta água pode precipitar um sismo, se as condições já existirem". Deu como exemplo o terramoto na Índia, em 1967, de magnitude de 6,5 na escala de Richter, que causou a morte de 180 pessoas e terá sido impulsionado pela barragem de Koyna, em Maharashtra, na parte ocidental da Índia. A influência da barragem é defendida por Fan Xiao, de 54 anos, engenheiro que lidera o Gabinete de Geologia e dos Minerais de Sichuan. "A barragem de Zipingpu foi construída numa zona de falha sísmica e pode facilmente ter impacto sobre ela", disse à agência noticiosa AFP.
"Não estou a dizer que o terramoto não teria acontecido, mas a barragem alterou a dimensão e o momento do terramoto."
sábado, 31 de janeiro de 2009
Por que temeis, homens de pouca fé?
" Vila Real, 23 Jan (Lusa) - O ministro do Ambiente, Nunes Correia, garantiu hoje em Vila Real que a cascata Fisgas do Ermelo vai continuar, apesar da construção das barragens do Alto Tâmega.
"As Fisgas do Ermelo, neste momento, posso dar por adquirido que vão continuar", assegurou o ministro, acrescentando que "houve um grande empenho nesse sentido".
"O nosso esforço é sempre conciliar o desenvolvimento das regiões e das populações com a conservação da natureza", afirmou Nunes Correia, após a cerimónia de posse do novo director do Departamento de Áreas Protegidas do Norte, Lagido Domingos, que ocorreu hoje na sede do Parque Natural do Alvão, em Vila Real.
A cascata Fisgas do Ermelo, uma queda de água no rio Olo, afluente do Tâmega, é dos locais mais visitados no Parque do Alvão, numa zona onde o caudal do rio separa as zonas graníticas das zonas xistosas.
O desnível da cascata, uma das maiores quedas de água da Europa, situada em Ermelo, no concelho de Mondim de Basto, estende-se por 200 metros de extensão.
Temia-se a extinção das Fisgas do Ermelo porque o projecto das quatro barragens da "cascata do Tâmega" - Alto Tâmega, Daivões, Padroselos e Gouvães - hoje apresentado em Chaves, na presença do primeiro-ministro José Sócrates, previa o desvio do caudal do rio Olo para a barragem de Gouvães através de um canal de derivação de quase oito quilómetros.
A ideia surgiu no estudo prévio do Plano Nacional de Barragens, mas gerou de imediato forte contestação na região de Vila Real e de Amarante, uma vez que a redução do caudal do Olo destruiria a queda de água."
Obrigado à Câmara Municipal de Amarante e à Comissão de Acompanhamento. Os vindouros ficar-vos-ão eternamente gratos por não terem empatado esta cruzada que furou o bloqueio.

